
Recordo-me de um passado não tão distante... Nele a violência assumiu um lugar de destaque. Não se ouvia mais falar sobre um outro assunto nas conversas informais, nos bares, esquinas, escolas e no ambiente de trabalho. De uma forma bem pejorativa a mídia divulgava os inúmeros casos. Todos ocorridos nas enormes favelas brasileiras que, diga-se de passagem, estão crescendo consideravelmente, principalmente as do Rio de Janeiro.
Tráficos de drogas. Assaltos. Seqüestros seguidos de assassinatos.
Lembro-me muito bem que assistindo à violência, sentados na poltrona da sala, eu e meus familiares comentávamos que com aquelas reportagens o medo de ir fazer um tour no Rio só se fazia aumentar. Mesmo assim, com toda a realidade transmitida, dura e verdadeira, simultaneamente eram passadas nas grandes emissoras de TV, os famosos folhetins (novelas) divulgando as inúmeras belezas naturais oferecidas pela Cidade Maravilhosa. Não tinha como não querer conhecer aqueles lindos lugares. O desejo passava a ser aguçado. E o medo também.
Pois bem. O Rio era o palco para duas grandes encenações, de estilos distintos: o trágico (nas favelas) e o bucólico/romântico (Zona Sul). Mas a violência espalhou-se, ela não é regalia apenas dos cariocas, como insistem divulgar as mídias (nacional/ internacional). Até São Paulo – a terra garoa – onde quase não ouvimos falar sobre tal problema, atualmente estampa as principais manchetes das colunas policiais.
O tempo não passou muito e a realidade agora já é outra: a violência entrou - sem bater na porta - em nossas casas. Não refiro-me à violência dos programas de TV, dos filmes e seriados, mas à violência verdadeira, as agressões, as barbáries. São filhos maltratando (no sentido mais amplo da palavra) pais e vice-versa. Se antes o mundinho da favela era intocável e o nosso também, agora tudo virou um mundo, eles se confundem. Para comprovar, basta ligar a TV e escolher qualquer um dos canais. Faça essa experiência. Aposto que no noticiário está passando pela milésima vez o caso Isabella Nardoni.
Sensacionalismo ou um manifesto contra a violência liderado pela mídia?
Sinceramente, não gosto de assistir esse tipo de noticiário porque de uma certa forma o telespectador acaba sendo manipulado pela mídia. A realidade é que não tem como não se revoltar com um ato tão covarde. Não importa quem o fez. Mas quando penso que os principais suspeitos são o pai e a madrasta da menina... Prefiro não tecer comentário a respeito.
Seja no Rio, em Sampa, na Colômbia ou em Bagdá. Não o importa onde ela – a violência - está, o que importa mesmo é que tudo isso é fruto do descaso. Descaso com a fé (quem ainda crê que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus?). Descaso com a política (quem de fato analisa o perfil do seu candidato e vota pensando no bem coletivo?). Descaso com a vida... Vida que vem sendo fragmentada aos poucos...
VIDA... VID... VI... V... o que restará?
By Marcella Pires

Um comentário:
Oi,
obrigado pela visita, Marcella. Passei aqui para dar um oi...
Beijos do Ale!
Postar um comentário