quarta-feira, 21 de maio de 2008

Orkuteando




O Orkut não é uma invenção brasileira, mas tem a cara do Brasil. Nele os membros se “mostram”, criam personagens, paqueram, trocam idéias através de fóruns, expõem suas vidas através de grandiosos álbuns de fotografias, deixam recados nas páginas de outros membros.

O mais curioso nesse site é a considerável quantidade de brasileiros que fazem parte de sua rede de membros. Estima-se que cerca de 55,32% deles sejam brasileiros. Dois lados de uma mesma moeda: um país considerado de Terceiro Mundo é o que mais tem usuários, ou seja, o acesso à internet não é mais uma regalia da classe auto intitulada alta, a massa também está conquistando o acesso à informatização. Por outro lado, se está fácil de trazer a informatização às massas, porque não seria fácil também viabilizar os investimentos em cultura e educação?

Não tenho absolutamente nada contra o Orkut, faço parte da rede de seus usuários. Através dele encontro meus amigos “perdidos”: os da faculdade, os do curso de inglês, os de infância que já não vejo há séculos... Pesquiso sobre a cultura de outros países, apesar de encontrar na maioria das vezes os brasileiros que moram fora daqui, enfim, é um site que se bem utilizado, traz de certa forma um enriquecimento cultural. Afinal, os fóruns, os debates e as enquetes também nos proporcionam tal enriquecimento.

Mas pensando bem, porque o Orkut tem tanto brasileiro? Gente à toa? Gente ávida por fazer amigos? Ou terra de gente carente? Eu trabalho, estudo, tenho um rede selecionada de amigos. Não tenho esse perfil. Carente ao extremo? Também não... Eu como chocolate! (hehehe)

O engraçado disso tudo é que no Orkut todo mundo quer ser meu amigo. Pessoas que passam por mim e nem sequer me olham ou falam um “Oi!’’. Não precisa se aquele “Oi!” simpático que costumam colocar lá em meus recados. Só queria que fossem gentis, educados. Será que o barato do momento é a amizade virtual? Ah, sinceramente, se for assim não quero. Quero um amigo que chora, que erra, que me decepciona, que me alegra. Amigo de carne e osso.

Sobre as comunidades: tem gente que cria aquelas famosas: “Eu conheço a Marcella”. Gente, vamos ser sinceros. Se você está em minha lista, é lógico que eu te conheço. E o pior: “Sou fã da Marcella”. Se você tem Orkut sabe que nele é possível classificar seus amigos e dar a eles uma estrelinha de fã, logo dizer que é fã de fulano de tal é obviamente óbvio.

As comunidades das quais eu participo são bem engraçadas e falam muito sobre mim. Algumas das quais faço parte: “Eu não ando, desfilo”. Se você me encontrar pela rua vai entender sobre o que estou falando. “Amo chocolate”. Muitas relacionadas à Literatura (Machado de Assis, Frases Literárias, Florbela Espanca, Literatura Portuguesa). E a minha preferida “Saia do Orkut e vá lê um livro!”.

Sobre os recadinhos automáticos e os escritos “axim”, dispenso comentários. Coitadinha da Língua Portuguesa. Sobre os depoimentos: ADORO! Tenho poucos, mas altamente valiosos, diria que são de um valor imensurável! Cada vez que leio me emociono porque sinto veracidade nas palavras de cada pessoa que se lembrou de mim. Sobre as fotografias: quanto mais criativa, melhor. Por favor, não confundam criatividade com vulgaridade. Tem perfis que parecem menus...

Um outro dado relevante a ser levantado: segundo pesquisas, o número de denúncias contra o abuso infantil, a violência domiciliar, preconceitos dos mais variados, tráfico, entre outros, cresceu consideravelmente, graças aos membros do Orkut.

Entendeu a essência? Este não é um manual de como usar o Orkut, mas acredite: ele - o site de relacionamentos - não foi feito para você brincar de ser alguém. Vamos encarar a Internet como um valioso meio de comunicação. Não tem como encará-la de uma outra maneira.

Saiba mais

O Orkut (ou orkut) é uma rede social filiada ao Google, criada em 24 de Janeiro de 2004 com o objetivo de ajudar seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos. Seu nome é originado no projetista chefe, Orkut Büyükkokten, engenheiro turco do Google. Tais sistemas, como esse adotado pelo projetista, também são chamados de rede social. É a rede social com maior participação de brasileiros, com mais de 23 milhões de usuários.

By Marcella Pires

terça-feira, 6 de maio de 2008

Escrever: uma verdadeira arte




O papel em branco à sua frente. O que escrever? Como começar? Esses são os questionamentos mais utilizados por nós meros escritores iniciantes e até mesmo por aqueles considerados os grandes dominadores desta arte. Muito se tem falado sobre o assunto. Inúmeras são as receitas para sanar tal problema, mas a verdade é que, mesmo existindo toda aquela famosa “pressão” por parte dos gramáticos, a arte do bem escrever ultrapassa o campo das regras e comunga da boa e velha inspiração. Mas apenas isso não basta.

O bom escritor deve, primeiramente, saber o cunho de seus textos – para quê e para quem escrever. Escrever apenas para preencher algumas linhas de uma folha, sem uma intenção é, com certeza, algo feito em vão. Para isso há uma necessidade de se apaixonar por um determinado assunto, pesquisar sobre ele e tentar pelo menos provocar no leitor a curiosidade sobre o mesmo para que ele queria embebedar-se das idéias do autor e formar as suas.

O bom texto – aquele que é objetivo, que não faz rodeios - provoca no leitor um verdadeiro diálogo. Ele – o leitor - fala, chora, xinga, reclama, mas jamais consegue ficar sem virar a página. Tudo isso, fruto de um verdadeiro processo criativo, autônomo, intenso, que por muitas das vezes simplesmente flui da inspiração como um passe de mágicas e por outras, nasce da transpiração, de um trabalho árduo.
Em suma, escrever é uma verdadeira arte que para ser completa necessita de um indivíduo que lhe dê vida. Não falo da mão que escreve, mas dos olhos que lê. Todo autor antes de dar os seus primeiros rabiscos precisa ter em mente quem terá o privilégio de contactar com seus textos e a sensibilidade de adequar a sua escrita àquele que vai dialogar com ela, “pois sem a consciência de um leitor vivo, o que o autor escreve morrerá em sua página”.

By Marcella Pires

Transcrever-se



Escrevo quando as aflições são grandes e o coração é pequeno.
Escrevo para não chorar, para não mais querer sofrer.

Escrevo quando tudo parece difícil,
quando o mundo não quer me entender e atender.

Escrevo porque quero e preciso ser ouvida.
Escrevo porque reconheço o poder das palavras.

Só não escrevo quando as palavras não conseguem traduzir o que sinto.

Aí fico reticente

...

Fico reticente
porque a vida deve continuar,
porque as palavras vêm e vão,
porque estou em transformação.

Transformo-me
para não ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”,
para sentir-me preparada para as diversas reações ao surgirem as críticas.
para viver, errar, tropeçar, cair
e ESCREVER.

By Marcella Pires