
Dizem que o futebol é coisa para homem e que mulher só entende de assuntos frágeis, delicados...
Na quarta-feira passada tive a oportunidade de ver na Globo um trio de arbitragem, digo um quinteto, composto exclusivamente por mulheres. Na ocasião, o Flamengo, atual campeão Carioca, disputou a partida com o Friburguense, time que se destaca por atuar de forma exemplar dentro de casa e que tenta complicar a vida dos grandes clubes quando joga em outros estádios.
Apesar de todo o seu prestígio, o Mengão, que jogou no Maracanã, teve dificuldades para golear o time de Nova Friburgo. Está certo, não torço para o Flamengo, “sou tricolor de coração, sou do clube tantas vez campeão”. Mas isso não influencia em nada na minha posição como telespectadora de uma partida de futebol. E olha que eu nem torci contra o Fla...
Voltando ao assunto que realmente interessa, “as meninas do apito, das bandeiras e das anotações” fizeram todo um ritual antes de entrar em capo: maquiagem, cabelo, oração. Coisa de mulher, entende? E fizeram ainda mais: marcaram faltas, falaram com firmeza, não deixaram os duros homens, jogadores, opostos do sexo frágil, intimidarem-nas. Foi muito lindo de se ver. E mais lindo ainda foi ver a entrega de buquês compostos por rosas vermelhas realizado pelo menos feio dos jogadores da equipe do Flamengo: o Fábio Luciano.
Detalhe: tudo eram flores antes da partida, mas foi só a árbitra Simone Xavier marcar a sua primeira falta que o xingamento de costume começou e com ele veio o cartão amarelo... quem ousaria repetir o gesto de Cristian, jogador do Flamengo? Só mesmo o Felipe Marques e Elan, ambos do Friburguense.
Se levarmos em consideração que a postura da arbitragem muitas vezes influencia a partida e torna-se até mesmo decisiva no que tange aos conflitos entre os jogadores, seria mais vantajoso e pacífico se existisse somente mulheres apitando um jogo. Não que sejamos mais honestas ou nunca nos deixamos corromper, mas acontece que a mulher tem um sexto sentido que nenhum homem tem, tampouco terá. Pretensiosa? Eu? Jamais.
Quando pensaríamos que mulher e futebol teriam um casamento perfeito? Os tempos mudaram e mudaram para melhor. A mulher brigou, lutou, e ainda luta para conseguir o seu espaço. Mas enquanto algumas vestem a camisa da independência, outras pegam carona nela e acham que casar-se, ter filhos, trabalhar em casa e fora dela é coisa fácil. Despreparadas profissionalmente e psicologicamente, não têm sucesso nem na vida pessoal – que é a base – nem na profissional que é um complemento.
A realidade é única: cada um nasce para ser bom em uma coisa. Algumas nascem para empresariar com sucesso, outras para fazer uma receita de bolo irretocável.... e outras para serem árbitras de futebol.
Antes o futebol era coisa para homem. E agora?
By Marcella Pires


